• Ataque a Bolsonaro é

O presidente brasileiro, Michel Temer, classificou hoje como intolerável o ataque ao candidato às eleições presidenciais Jair Bolsonaro (PSL) durante uma iniciativa de campanha em Juiz de Fora, no Estado de Minas Gerais.

De acordo com a plataforma noticiosa G1, Temer afirmou que o episódio é "triste" e "lamentável".

"Se Deus quiser, o candidato Bolsonaro ficará bem, temos a certeza de que não haverá nada mais grave, esperamos que não haja nada mais grave", afirmou o chefe de Estado brasileiro.

Michel Temer considerou que a situação revela algo que a sociedade tem de se consciencializar, a intolerância.

"É intolerável que as pessoas falseiem dados durante a campanha eleitoral, é intolerável que nós vivamos num estado democrático de direito em que não haja possibilidade de uma campanha tranquila, de uma campanha em que as pessoas vão e apresentem os seus projetos", declarou Temer durante uma cerimónia no Palácio do Planalto.

O Presidente do Brasil disse ainda esperar que a situação "sirva de exemplo para que as pessoas que hoje estão a fazer campanha percebam que a tolerância é uma derivação da própria democracia, é a derivação do chamado estado de direito".

"Nós não temos estado de direito se houver intolerância. E intolerância muitas e muitas vezes deriva exata a precisamente da falta de cumprimento da Lei, de falta de cumprimento da Constituição brasileira", salientou.

O candidato às eleições presidenciais brasileiras Jair Bolsonaro (PSL) foi ontem esfaqueado durante uma ação de campanhas .

No momento do ataque, o candidato estava a ser carregado aos ombros por apoiantes e foi imediatamente retirado do local e transportado para um hospital de Minas Gerais, segundo o jornal O Estadão.

O agressor foi detido, de acordo com a polícia.

Flávio Bolsonaro, filho do candidato presidencial, já veio a público dizer que os ferimentos foram superficiais.

"Jair Bolsonaro sofreu um atentado agora em Juiz de Fora, uma estocada com faca na região do abdómen. Graças a Deus foi apenas superficial e ele pesa [passa] bem. Peço que intensifiquem as orações por nós", escreveu Flávio Bolsonaro, na rede social Twitter.

Bolsonaro diz no hospital que estava consciente dos riscos que corria

Esta declaração surge num vídeo gravado na Santa Casa de Juiz de Fora, cerca de 200 quilómetros a norte do Rio de Janeiro, divulgado nas redes sociais, durante a madrugada desta sexta-feira, pelo senador Magno Malta, no qual Bolsonaro surge a falar pela primeira vez desde o ataque, afirmando que nunca fez mal a ninguém.

"Eu me preparava para um momento como esse porque você corre riscos. Mas, de vez em quando, a gente duvida, né? Será que o ser humano é tão mau assim? Nunca fiz mal a ninguém", afirmou Bolsonaro, no mesmo vídeo.

De acordo com os médicos do hospital de Juiz de Fora, Jair Bolsonaro apresenta um quadro médico estável, mas não deverá receber alta hospitalar antes de uma semana.

"Ele está consciente, já acordou, reconheceu os filhos", disse o médico cirurgião Luiz Henrique Borsato, do hospital da Santa Casa de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Jair Bolsonaro deu entrada naquele hospital com uma lesão hepática grave.

Segundo uma sondagem divulgada esta quinta-feira - a primeira após o Tribunal Superior Eleitoral ter rejeitado a candidatura de Lula da Silva (PT) -, Jair Bolsonaro lidera a corrida eleitoral de outubro, com 22% das intenções de voto.

Capitão do exército reformado e defensor da ditadura militar -- regime que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985 -, Bolsonaro iniciou a carreira política adotando posições extremadas e discursos agressivos em defesa da autoridade do Estado e dos valores da família cristã.

Ganhou notoriedade nos últimos anos e transformou-se num líder capaz de mobilizar milhares de eleitores desiludidos com a mais severa recessão económica da história do Brasil, que eclodiu entre os anos de 2015 e 2016, ao mesmo tempo que as lideranças políticas tradicionais do país têm sido envolvidas em escândalos de corrupção.

Chamado de "mito" e "herói" pelos apoiantes e de "perigo à democracia" por críticos e adversários, Jair Bolsonaro, de 62 anos, está na política brasileira há 28 anos e foi eleito deputado (membro da câmara baixa) sete vezes consecutivas, mas sem nunca ter ocupado um cargo importante no Parlamento.

Na campanha, Bolsonaro defende os valores tradicionais da família cristã, o porte de armas e 'prega' que o combate à violência no Brasil, país que atingiu a marca de 63.800 homicídios em 2017, deve ser feito de forma violenta pelas autoridades.

Entre as propostas mais polémicas para a área de segurança pública está a implantação de uma figura jurídica no sistema legal que impediria o julgamento criminal de homicídios cometidos por polícias em serviço.

O candidato declarou, também, que se for eleito não vai aplicar recursos do Governo em instituições que atuam em defesa dos direitos humanos, afirmando pretender retirar o Brasil do Comité de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

Considerado polémico e que desperta paixões e controvérsia, Bolsonaro já foi condenado por injúria e apologia ao crime de violação após uma ofensa contra a deputada Maria do Rosário após uma sessão na câmara baixa do Parlamento brasileiro, em 2003.

Após uma discussão, Bolsonaro declarou que a deputada não merecia ser violada: "Porque ela é muito feia, não faz meu género, jamais a violaria. Eu não sou violador, mas, se fosse, não iria violar porque não merece".

Bolsonaro também foi acusado pela Procuradoria-Geral do Brasil do crime de racismo, em 2016, quando comparou com animais os descendentes de negros africanos que fugiram antes da abolição da escravatura e vivem em comunidades rurais demarcadas no interior do Brasil.

O candidato, que lidera as sondagens às presidenciais do Brasil, também responde num processo por declarações homofóbicas, feitas num programa de televisão e é investigado por suposta apologia ao crime de tortura.

A última acusação baseia-se na homenagem que fez ao coronel Brilhante Ustra, reconhecido torturador brasileiro, no momento em que votava a favor da destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, que anos antes de entrar para a política foi presa e torturada durante a ditadura militar.

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Sep 07, 2018 13:10 UTC
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