• A pressão de Washington se aproxima ainda mais os países: disse Zarif na Ankara

Pars Today- O chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, salientou que as ações de Washington servirão para fortalecer os laços entre as nações.

Ele fez as declarações na quarta-feira após uma visita surpresa à Turquia, onde se encontrou com seu colega Mevlut Cavusoglu e com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

"Nossos amigos na Turquia, juntamente com muitos dos aliados de Washington na Europa, chegaram à conclusão de que os EUA não podem mais depender de parceiros", disse ele. Ele acrescentou que as ações dos EUA mostram que os países precisam repensar em suas relações futuras e que a pressão de Washington sobre os países da região servirá para reuni-los.

Após a reunião, Zarif twittou que a reunião foi bem-sucedida e se concentrou em lidar com o "comportamento" de Washington.   

De acordo com a agência de notícias Anadolu, Cavusoglu disse que "os laços bilaterais ... (e) a Síria" estavam na agenda da reunião.

"As nossas notícias são sempre boas. Que esperamos da conversação? Esperamos resultados. Falaremos. Estão em cima da mesa às relações bilaterais, está à Síria também", disse Çavusoglu, citado pela agência noticiosa turca, Anadolu.

Antes de entrar na sede do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), onde antes decorreu reunião do partido político islamita, que governa a Turquia desde 2002, Çavusoglu assinalou que o diálogo com Zarif iria incidir nas relações bilaterais e no conflito sírio, no qual Ancara e Teerã estão em campos diferentes, apoiando os lados opostos do conflito.

Na segunda-feira, o ministro das Finanças da Turquia, Berat Albayrak, disse que os recentes passos unilaterais tomados pelos EUA para travar uma guerra econômica contra Ankara são politicamente motivados e podem servir para reforçar o terrorismo regional e a crise de refugiados.

Washington e Ancara estão envolvidos em uma disputa sobre um pastor americano que está sendo julgado na Turquia por acusações de terrorismo. O pastor Andrew Brunson foi acusado de ter ligações com o proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e o movimento Gulen, que a Turquia culpa pelo golpe militar fracassado de 2016. Brunson, que já passou quase dois anos atrás das grades na Turquia, negou as acusações, chamando-as de "vergonhosas e repugnantes". Se for considerado culpado, ele enfrentará até 35 anos de prisão. Sua detenção causou uma das mais profundas brigas entre a Turquia e os EUA. Os EUA levaram a disputa à frente econômica, adotando uma série de medidas punitivas contra a Turquia, incluindo a imposição de sanções aos ministros turcos e a duplicação das tarifas de aço e alumínio, que levaram a um declínio acentuado da moeda turca, a lira.

O Presidente turco e líder do AKP, Recep Tayyip Erdogan, recebeu tembém Mohamad Yavad Zarif antes do ministro iraniano reunir com Çavusoglu.

Questionado sobre as sanções dos Estados Unidos ao Irã, o chefe da diplomacia turca revelou desconhecer se Erdogan e Zarif teriam falado sobre o assunto, embora admitisse que "talvez" o tema tenha sido abordado.

No próximo dia 07 de setembro, Erdogan, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o chefe de Estado do Irã, Hassan Rouhani, realizam uma cimeira em Teerã, capital iraniana, focalizada no conflito sírio.

A imprensa turca notou que Irã e Rússia, que apoiam o governo de Damasco, de Bashar al-Assad, tentarão abrir o caminho para as forças do Governo sírio retomar a província de Idlib, a única grande região ainda nas mãos dos rebeldes.

Ancara teme que esta operação desencadeie uma nova onda de refugiados, que tentam alcançar a Turquia.

Zarif deve visitar o Paquistão na sexta-feira para se encontrar com o recém-eleito primeiro-ministro Imran Khan.

 

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Aug 30, 2018 08:14 UTC
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