• ONU condena uso excessivo de força por Israel contra palestinos em Gaza

Resolução pede que Guterres recomende um mecanismo de proteção internacional.

A Assembleia Geral da ONU adotou nesta quarta-feira uma resolução condenando Israel pelo uso excessivo da força contra civis palestinos na Faixa de Gaza. Impulsionado pelas nações árabes, o documento recebeu apoio de 120 dos 193 países, com oito votos contrários e 45 abstenções. Uma proposta dos EUA para apresentar uma emenda condenando o Hamas não obteve a maioria de dois terços necessária para aprovação. A resolução pede ainda ao secretário-geral da organização, Antonio Guterres, que recomende um "mecanismo de proteção internacional" para o território palestino ocupado.

O projeto de resolução foi apresentado na Assembleia Geral por Argélia, Turquia e palestinos depois que os Estados Unidos vetaram uma resolução semelhante no Conselho de Segurança da ONU no início deste mês. O texto condena o lançamento de foguetes de Gaza contra áreas civis israelenses, mas não menciona o Hamas, grupo islâmico que controla a região. Resoluções da Assembleia Geral não têm caráter vinculante, mas carregam um peso político.

— A natureza desta resolução demonstra claramente que a política está impulsionando o dia. É totalmente parcial. Não faz menção aos terroristas do Hamas que rotineiramente iniciam a violência em Gaza — disse a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Nikki Haley, à Assembleia Geral antes da votação.

— Ao apoiar esta resolução, vocês estão sendo coniventes com uma organização terrorista. Apoiando esta resolução, estão fortalecendo o Hamas — reagiu.

Mais de 120 palestinos foram mortos por forças israelenses durante os protestos nas fronteiras de Gaza desde 30 de março. O maior número de mortes ocorreu em 14 de maio, o dia em que os Estados Unidos inauguraram sua embaixada em Jerusalém, após reconhecer a cidade como capital de Israel e transferir sua representação diplomática, que antes ficava em Tel Aviv.

Em meio à condenação internacional pelo uso de força letal, Israel disse que muitos dos mortos eram militantes e que o Exército estava repelindo os ataques na fronteira. Washington apoiou o direito de Israel de se defender e se absteve de juntar-se aos pedidos de moderação.

Palestinos e seus partidários, por sua vez, afirmaram que a maioria dos manifestantes era composta por civis desarmados e que Israel usou força excessiva contra eles.

— Precisamos de proteção para nossa população civil — declarou o enviado palestino, Riyad Mansour, antes da votação. — Não podemos permanecer em silêncio diante dos crimes e das violações dos direitos humanos que são sistematicamente perpetrados contra nosso povo.

A resolução pede a Guterres que apresente um relatório dentro de 60 dias com propostas "sobre formas e meios para garantir a segurança, a proteção e o bem-estar da população civil palestina sob a ocupação israelense, incluindo recomendações sobre um mecanismo de proteção internacional".

Em dezembro, 128 países desafiaram o presidente Donald Trump e votaram a favor de uma resolução conclamando os Estados Unidos a voltarem atrás no reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel.

 

Jun 13, 2018 23:14 UTC
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