• Na Argentina, premiê de Israel elogia esforços de Macri para solucionar ataque de 1994

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que esteve na Argentina nesta terça-feira como o primeiro premiê israelense em exercício a visitar a América Latina, elogiou os esforços do presidente argentino, Mauricio Macri, para resolver o ataque a um centro judaico de Buenos Aires de 994.

A explosão, que ainda não foi solucionada, foi considerada pelo judiciario argentina , sem alegações convenciveis  como de responsabilidade do Irã.

Falando com líderes judeus argentinos na segunda-feira,Netanyahu elogiou a "determinação em encontrar os culpados" por parte de Macri.

Durante o governo da ex-presidente Cristina Kirchner, opromotor no caso da explosão foi encontrado morto a tiros apenas horas antes de comparecer ao Congresso para resumir sua acusaçãode que Cristina havia tentado abrir caminho para um acordo de "grãos por petróleo" com o Irã, em troca de encobrir o papel da República Islâmica no ataque.

A Argentina tem a maior população judaica da América Latina. O mistério ao redor da explosão do centro Amia se intensificouem 2015, quando o promotor que estava investigando o caso,Alberto Nisman, foi encontrado no chão de seu apartamento em Buenos Aires com uma arma ao lado de seu corpo e um tiro na cabeça. Sua morte foi classificada como um suicídio, mas a família e amigos de Nisman rejeitaram a ideia como absurda.

Pesquisas indicam que a maior parte dos argentinos acreditaque sua morte foi um homicídio.Macri encontrou com a família de Nisman e disse ter colocadouma alta prioridade na resolução tanto da morte do promotor,como do ataque no Amia.

Banjamin Netanyahu inicia nesta segunda-feira (11) na Argentina a primeira visita à América Latina de um primeiro-ministro em exercício desde a fundação do Estado de Israel, com o objetivo de promover relações comerciais e diplomáticas.

Netanyahu se reunirá em um encontro privado nesta segunda com a comunidade judaica argentina, de cerca de 300 mil membros, a segunda maior das Américas atrás da dos Estados Unidos.

Na terça-feira, teve um encontrou com  presidente Maurício Macri na sede do governo, a Casa Rosada, a única atividade de sua agenda aberta à imprensa.

Netanyahu recebeu arquivos digitais com dezenas de milhares de documentos da Segunda Guerra Mundial, informou a Agência de Notícias Judaica.

Trata-se da transferência eletrônica para Israel de 139.544 documentos e fotografias históricas como parte de uma iniciativa conjunta da Chancelaria argentina e do Museu do Holocausto dos Estados Unidos.

Numa declaração à imprensa ao lado do presidente da Argentina, Mauricio Macri,  Benjamín Netanyahu, سث referiu ao tema das armas nucleares como uma questão que "deveria ser uma preocupação" para todo o mundo.

"Entendemos o risco de um Estado rebelde ter armas nucleares, como é o caso do Irã", disse o primeiro-ministro israelita.

O acordo entre o Irã e o Grupo 5+1 (que junta os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha) foi muito criticado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que durante a sua campanha eleitoral expressou, por repetidas vezes, o desejo de romper com o acordo e reiterou a necessidade de exigir mais garantias a Teerã.

"A nossa posição é a seguinte: é um mau acordo. Ou é corrigido ou é cancelado. Essa é a posição de Israel", afirmou Netanyahu, que por várias vezes instou sobre a necessidade de por fim ao programa nuclear iraniano.

No final de agosto, um documento confidencial do Organismo Internacional de Energia Atómica concluiu que o Irã cumpriu, durante os três meses anteriores, as exigências do acordo, em vigor desde janeiro de 2016, que entre outros aspetos, limita as atividades atómicas iranianas por um prazo entre 10 e 25 anos.

Por sua vez, as potências que assinaram o acordo comprometeram-se a levantar suas sanções comerciais, diplomáticas e nucleares aplicadas contra Teerã.

O prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel repudiou a visita israelense. "Ele é acusado de cometer crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional por matar civis bombardeando escolas, hospitais e mesquitas palestinas. Além disso, protege um repressor da última ditadura argentina", declarou Pérez Esquivel.

O Nobel argentino citou a recusa de Israel de extraditar o militar argentino Teodoro Anibal Gauto, alvo de um mandado de captura internacional da Interpol e acusado de cometer crimes contra a humanidade na última ditadura militar do país (1976-83).

A visita de Netanyahu vai alterar o ritmo na capital argentina, com ruas bloqueadas para o trânsito e um forte esquema de segurança no centro da cidade.

Organizações humanitárias e partidos de esquerda realizaram este  terça-feira uma passeata em repúdio à presença do primeiro-ministro israelense.

"marchamos em repúdio à presença deste genocida e em solidariedade ao povo palestino", anunciou Tilda Rabi, presidente da Federação das Entidades argentino-palestinas.

A visita marca o início de um giro que se estenderá até 15 de setembro e que inclui escalas em Colômbia e México, antes de Nova York, onde Netanyahu participará da Assembleia Geral da ONU.

Sep 12, 2017 18:58 UTC
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