• EUA dizem que a China é um predador latino-americano

Pars Today- Estados Unidos tentou convencer os líderes reunidos em Peru no âmbito da VIII Cúpula das Américas, que é um "confiável e prioridade parceiro" para a América Latina e China não é apenas um "inimigo" para os interesses Washington, mas um "predador" nesta região.

Esta tarefa -Apresentar a estratégia regional do país norte-americano para os países da região- a encomendou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a seu secretário de Comércio, Wilbur Ross, quem o representou na cúpula hemisférica que concluiu neste domingo, na capital peruana de Lima.

Em uma reunião de quase privada com sete jornalistas em Lima, Ross mostrou o enorme interesse da Casa Branca de deixar claro que sua guerra é com a China e não com os países latino-americanos.

EUA tem um "problema muito sério com a China, mas nenhum com a América Latina", disse ele.

O ex-banqueiro conhecido pela reestruturação de empresas quebradas ou problemáticas nas indústrias de aço e carvão insistiu que não deveria haver medo de uma guerra comercial e advertiu sobre as consequências que esse confronto entre os EUA e China poderia trazer para os países da região e do resto do mundo. De fato, Washington e Pequim estão envolvidos em uma disputa comercial sobre as tarifas.  .

Quando você olha para os números, (chineses) estão focados na compra de matérias-primas, nossos produtos acabados, que criam muito mais empregos. O 79% das nossas compras na América Latina são fabricadas. Nós exportamos mais para a região do que para a China. “Esta região é fundamental do ponto de vista econômico e histórico para os EUA”, afirma o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross.  .

Ele também argumentou que a China é "o país mais protecionista do mundo" e enfatizou, por sua vez, que “a China e a União Europeia (UE) têm muito mais barreiras do que os EUA”. em relação às tarifas dos produtos importados em seus territórios.

Com essa abordagem, os Estados Unidos estão relutantes em ver a realidade da atual dimensão das ligações econômicas e geopolíticas entre a América Latina e a China.

Até hoje, Washington ainda acredita que a América Latina é e continuará sendo um lugar que historicamente controlada, sem perceber a importância do comércio da região com a China.

Cúpula das Américas aprova em Lima 'compromisso' contra corrupção

Os governantes que participam da Cúpula das Américas em Lima aprovaram, neste sábado (14), por aclamação, um "compromisso" contra a corrupção, tema principal deste encontro. "Adotemos ao início desta reunião o Compromisso de Lima 'Governabilidade Democrática Contra a Corrupção'" para "expressar a firme vontade" de acabar com esse flagelo, disse o presidente peruano, Martín Vizcarra, ao abrir a primeira sessão plenária da Cúpula. Imediatamente, os presidentes aprovaram por aclamação esse documento, algo que tradicionalmente é feito ao fim de uma reunião e não em sua primeira sessão de trabalho.

O documento de 57 pontos, que não tem poder vinculante, mas fixa uma meta a ser alcançada por todos, havia sido acordado na sexta-feira em uma reunião de chanceleres, após ser negociado pelos países americanos durante sete meses.

O compromisso contempla "avançar na luta contra a corrupção, em particular a prevenção e o combate dos subornos a funcionários públicos nacionais e estrangeiros", e "adotar um marco legal para responsabilizar as pessoas jurídicas (entidades, empresas) por atos de corrupção". Também "promove a inclusão de cláusulas anticorrupção em todos os contratos do Estado (...) e estabelece registros de pessoas naturais e jurídicas vinculadas com atos de corrupção e lavagem de dinheiro para evitar sua contratação".

Propõe "medidas que promovam a transparência" nos gastos dos partidos políticos, "principalmente de suas campanhas eleitorais, garantindo a origem lícita das contribuições, assim como sanções pela recepção de aportes ilícitos". "Reitero a convocação para conformar uma aliança regional contra a corrupção. E uma política de tolerância zero frente os corruptos", afirmou Vizcarra.

"O Peru assumiu o desafio da luta frontal contra a corrupção. Essa é a prioridade do meu governo", acrescentou, em alusão a sua chegada ao poder há três semanas, após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, envolvido em denúncias de corrupção.

Na sexta-feira, o presidente americano, Donald Trump, que não foi a Lima para preparar uma resposta ao suposto uso de armas químicas pelo governo de Bashar al-Assad, ordenou atacar vários alvos sensíveis na Síria em coordenação com França e Grã-Bretanha, contando com o apoio da Otan.

Em Lima, o vice-presidente americano, Mike Pence, teve que se ausentar durante um tempo da cerimônia de abertura na sexta-feira à noite para informar os líderes do Congresso sobre os ataques. Depois de aprovarem o compromisso contra a corrupção, os presidentes visitantes começaram seus discursos.

Neste sábado à tarde, Pence cumpriu uma agenda cheia de reuniões bilaterais à margem do evento com os presidentes de Peru, Canadá, México, Colômbia, Argentina, Chile, e uma reunião multilateral com os líderes do Caribe.

A Cúpula termina neste sábado e, além da luta contra a corrupção, os presidentes discutiram sobre a situação na Venezuela e um pedido americano para aumentar as sanções contra o governo de Nicolás Maduro.

Crises ao redor do mundo esvaziam Cúpula das Américas no Peru

O conflito na Síria, o agravamento da crise humanitária na Venezuela e as denúncias de corrupção de ex-presidentes do Peru tiraram o foco da reunião Por Agência Brasil access_time 13 abr 2018, 15h43 - Publicado em 13 abr 2018, 14h43 more_horiz Cúpula das Américas: o fórum foi criado pelo governo norte-americano, em 1994, para discutir o futuro da região (Ivan Alvarado/Reuters) Três crises esvaziaram a 8ª Cúpula das Américas

A cúpula ocorre no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou a Síria; com o agravamento da crise humanitária e política envolvendo a Venezuela e também com as denúncias de corrupção e desvios de conduta de ex-presidentes peruanos.

Pela primeira vez, um presidente dos Estados Unidos não participa da Cúpula das Américas, o fórum criado pelo governo norte-americano, em 1994, para discutir o futuro da região. As reuniões são realizadas a cada três anos, e nesta cúpula o tema principal da agenda foi o combate à corrupção.

Ainda na pauta da reunião, os líderes de 35 países discutiram os problemas e o futuro da região, principalmente o impacto da corrupção no crescimento econômico, no desenvolvimento e nas instituições democráticas.

A menos de um mês do começo da Cúpula das Américas, o então presidente do Peru Pedro Pablo Kuczynski renunciou antes da votação do segundo pedido de impeachment. Ele foi acusado de ter recebido propinas da empreiteira brasileira Odebrecht. Dois ex-presidentes peruanos são alvos do escândalo da Lava Jato. Ollanta Humala, que está preso, e Humberto Toledo, foragido.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi excluído da reunião em meio a críticas de desrespeito à democracia. A questão da Venezuela gera protestos favoráveis e contrários a Maduro durante a 8ª Cúpula das Américas.

Sequestro dos jornalistas em Ecuador

Um incidente regional tirou o presidente do Equador, Lenin Moreno, das discussões. Ele chegou a desembarcar no Peru, mas retornou a Quito para acompanhar pessoalmente os desdobramentos do sequestro de três jornalistas na fronteira com a Colômbia. A equipe do jornal equatoriano El Comercio foi sequestrada há 20 dias. Eles estavam investigando o tráfico de drogas fronteiriço e a atuação de ex-guerrilheiros das Forcas Armadas Revolucionarias da Colômbia (Farc).

Outra questão que dominou as discussões na cúpula foi a exclusão de Maduro do encontro, após antecipar as eleições presidenciais, suspendendo o diálogo com a oposição. A antecipação foi condenada pelos principais partidos opositores e pelos 17 países do Grupo de Lima, entre os quais o Brasil, que definem o episódio como “ruptura da ordem democrática” na Venezuela.

Os principais líderes de oposição da Venezuela estão presos, exilados ou inabilitados para concorrer a pleitos. Crítico do regime venezuelano, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, reitera que não aceita tratar Maduro como “líder democrático”, mesmo que ele seja reeleito.

Maduro tinha ameaçado comparecer à Cúpula das Américas, mesmo sem ter sido convidado, mesmo que tenha que “ir nadando” para o Peru.

Carta Aberta

A organização não-governamental (ONG) Anistia Internacional enviou carta aberta aos 35 líderes das Américas, lembrando que qualquer discussão sobre problemas econômicos, políticos e comerciais da região deve ser acompanhada de politicas de defesa dos direitos humanos. Na carta, a ONG diz que “lamentavelmente a nossa região continua sendo a mais violenta e desigual do mundo, com os maiores índices de homicídios, na América Central, no México, no Brasil e na Venezuela”. A organização também criticou a “retórica” de líderes políticos que promovem “o ódio e a discriminação”.

Em Buenos Aires, o secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, se reuniu com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, quando conversaram sobre o impacto da crise humanitária na Venezuela nos países vizinhos. Para Shetty, a solução para a crise é politica, pois a adoção de sanções e ameaças não têm surtido efeitos.

 “Salvo a ajuda que tem recebido da Rússia, da China e de Cuba, o governo de Maduro esta cada vez mais isolado e fechado”, disse. “Brasil, Colômbia e Argentina têm um papel fundamental em convencer Maduro a buscar uma saída política”, afirmou Shetty.

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Apr 15, 2018 03:11 UTC
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