• Presidente francês diz que convenceu Trump a manter tropas na Síria

Pars Today- O Presidente de França, Emmanuel Macron, disse há momentos numa entrevista que convenceu Donald Trump a manter o atual envolvimento dos EUA na guerra da Síria, apesar de o líder norte-americano ter dito, ainda antes dos ataques tripartidos deste sábado, que ia retirar as tropas destacadas naquele país do Médio Oriente.

Macron fez as declarações em uma entrevista transmitida pela BFM TV, RMC e Mediapart no domingo, onde também defendeu a participação de seu país nos ataques aéreos conjuntos na Síria. "Nós convencemo-lo de que era necessário permanecer lá ... Temos total legitimidade internacional para agir neste contexto", disse ele.

Os EUA têm aproximadamente 2 mil soldados das forças especiais na zona Nordeste da Síria, onde combatem lado a lado com os curdos do YPG e com as Forças Democráticas Sírias. Além disso, financiam e treinam estes dois últimos grupos, que combatem o Daesh e também as tropas de Bashar al-Assad.

"Temos três membros do Conselho de Segurança (das Nações Unidas) que intervieram." O anúncio foi feito várias horas depois que a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, disse que os EUA não retirariam as tropas norte-americanas da Síria até que suas metas fossem cumpridas.

O Presidente francês deu ainda a entender que Donald Trump poderá ter equacionado um ataque mais forte do que aquele que foi lançado no sábado — onde, ao todo, foram lançados 105 mísseis, entre os EUA, França e Reino Unido. “Convencemo-lo de que é preciso limitar esses ataques às armas químicas”, referiu Emmanuel Macron.

Haley listou três metas para os EUA, garantindo que as armas químicas não sejam usadas de qualquer maneira que representem um risco para os interesses americanos, que o grupo terrorista Daesh seja derrotado e que haja um bom ponto de observação para ver o que o Irã está fazendo.

No início do sábado, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França realizaram uma série de ataques aéreos contra a Síria por suspeita de um ataque com armas químicas contra a cidade de Douma, localizada a cerca de 10 quilômetros a nordeste da capital Damasco. O governo sírio rejeitou as alegações de que estava por trás do suposto ataque químico perto da capital Damasco, em 7 de abril. O ataque supostamente ocorreu na antiga cidade de Douma, em Ghouta-Leste.

Sobre a ação de sábado, que descreveu como “indispensável”, Emmanuel Macron procurou sublinhar: “A França não declarou guerra contra o regime de Bashar al-Assad. Nós trabalhámos para que o direito internacional não seja novamente violado, tal como as resoluções da ONU”. Acrescentou ainda que a França tem como objetivo “uma solução política” para a Síria e que para chegar a essa fase “será preciso negociar com o Irã, com a Síria, com a Rússia”.

Emmanuel Macron disse ainda que “França é o país que esteve mais ativo no plano diplomático e humanitário nos últimos meses”. O Presidente francês vai visitar os EUA entre 23 e 25 de abril. Um mês depois, entre 24 e 25 de maio, fará a sua primeira visita oficial à Rússia.

Especialistas da OPAQ começaram a missão na Síria.

Enquanto isso, uma equipe de especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) iniciou sua investigação sobre o suposto ataque químico. A equipe de Hague chegou à Síria várias horas depois dos ataques aéreos conjuntos em solo sírio. "Garantiremos que eles possam trabalhar de forma profissional, objetiva, imparcial e livre de qualquer pressão", disse o ministro de Relações Exteriores da Síria, Ayman Soussan, à AFP.

A Síria entregou todo o seu estoque de produtos químicos sob um acordo negociado pela Rússia e pelos Estados Unidos em 2013.

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Apr 16, 2018 04:46 UTC
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