Nesta suma analise, abordaremos a vida e as lutas do aiatolá Akbar Hashemi Rafsanjani, um grande e destacado estadista e clérigo, nos períodos anteriores e depois de triunfo da revolução islâmica no Irã.

A divulgação de uma lamentável noticia às dezenove horas e trinta minutos (hora de Teerã) neste domingo 8 janeiro de 2017, chocou e entristeceu milhões dos iranianos e os amantes da revolução islâmica por toda a parte do mundo.

Aiatolá Hashemi Rafsanjani, o presidente do Conselho de Discernimento da República Islâmica do Irã, uma das vanguardas na luta contra o ex-regime opressor e imperial e dos companheiros próximos do Imã Khomeini (que descanse em paz), o fundador da Revolução islâmica, sofreu um ataque cardíaco e deu entrada numa unidade hospitalar, mas acabou por não resistir.

Milhares de pessoas estavam presentes na frente a hospital onde o Rafsanjani estava internado. O aiatolá Khamenei, o guia supremo da revolução islâmica, em uma mensagem de pêsame, lamentou o falecimento de Rafsanjani, a quem qualificou com "companheiro de luta e amigo", afirmando que “é difícil e dolorosa a falta do companheiro com o qual a história de parceria e empatia foi de 59 anos“. Ele acrescentou:Nestas décadas, havia muitos problemas e empecilhas e que compartilhamos tolerantemente e trilhamos com esforço, grande empatia e cooperação em um caminho comum. A sua inteligência aguda e sinceridade sem precedentes neste período, foi um suporte e respaldo seguro para os seus parceiros nesta luta e para todos aqueles que estavam com ele, especialmente para a minha pessoa”. O líder da revolução islâmica continuou: “Ele foi um exemplo incomparável da primeira geração que lutou contra o regime totalitário e dos que tem sofrido neste caminho glorioso de alto risco. Anos na prisão e suportar a tortura da SAVAK e resistir a tudo isso e logo após da revolução desempenhar cruciais responsabilidades durante o período da Defesa Sagrada e a sua presidência no Parlamento (Assembleia Consultiva Islâmica) e a Assembleia de peritos, etc., são paginas de uma vida deslumbrante cheia de altibaixos de um veterano guerreiro. Na ausência de Hashemi, não conheço outra pessoa com esta experiência comum e compartilhada em tal corrida e trajetória de longo tempo nestes períodos históricos...".

O falecido presidente do Conselho de Discernimento da República morreu coincidentemente em 165º aniversario de assassinato de renomado chanceler iraniano, Amir Caber. Ele era chanceler durante três anos e meio no reinado de Naser ad-Din (1831 –1896(, um rei incompetente da dinastia de Qajar.

Amir Kabir, durante o seu mandato, na direção da reforma e o desenvolvimento do país, prestou ações e trabalhos, os quais despertaram conspiração dos inimigos internos e externos especialmente o governo britânico contra ele e, consequentemente, levaram o rei a decretar o seu abandono de cargo e logo a seguir assassiná-lo. Mas o nome de Amir Kabir é para sempre recordado na historia do Irã. Ele é uma das personalidades favoritas do Rafsanjani, pela qual escreveu um livro em homenagem a esta grande figura intitulado “Amir Kabir, o herói da luta contra o colonialismo”.

Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, nasceu em 1935, numa aldeia chamada Bahraman nos arredores do município de Rafsanjan na Província de Kerman, em uma família agricultura e religiosa. Aos 14 anos, migrou para cidade de Qom, o centro de estudos religiosos com intenção de estudar Ciências religiosas. Este jovem talento, logo cedo entrou na cena de lutas e campanhas politicas contra o regime.

Após o golpe de Estado Inglês-norte-americano de 1953 contra o governo nacionalista de Dr. Mosadeq, Akbar Hashemi Rafsanjani, inicia a sua atividade política e cultural. Neste período que conhecia o Aiatolá Khamenei. Mas o que marcou como um novo capítulo da sua vida foi o seu relacionamento com o aiatolá Khomeini. Nesta altura, o aiatolá Khomeini, ainda era desconhecido como o grande jurisprudente pelo povo, mesmo sendo mais destacado e inteligente docente no Seminário de Qom.

Rafsanjani entrou no circulo de discípulos do aiatolá Khomeini (RA) e, juntamente com estudos não ignorou outras atividades de luta politica e a divulgação cultural e religiosa, tendo propagado a doutrina xiita, com a colaboração de alguns jovens religiosos.

O monarca Mohammad Reza Pahlavi, após o golpe de 1953, apostou no apoio dos britânicos e norte-americanos e a fim de atingir os seus objetivos, pela sua impopularidade e sem uma base solida junto ao povo, tentou ampliar a sua dependência a velha colonial britânica e aos americanos.

A este respeito, ocorreram reformas nas leis e mudança de ação, sob as reformas agrarias denominadas Revolução Branca e em sua opinião alcançar o país à beira de uma grande civilização. Mas estas reformas, de fato, foram uma alienação cultural e religiosa do povo, e mais exploração e dependência do país a Ocidente e aos governos ocidentais, em particular aos EUA e os britânicos.

Neste período, e na sequência do falecimento de grande aiatolá e jurisprudente islâmico, Brujeri, o Imã Khomeini se tornou uma das principais referencias religiosas entre os teólogos, estúdios da religião no Seminário de Qom e entre o povo iraniano. Ele, com colaboração de personalidades como jovem Rafsanjani iniciou a luta pela conscientização do povo das consequências dos exploradores objetivos do governo contra a população, sob a reforma agraria e a Revolução Branca promovida pelo monarca.

O Imã Khomeini através de esclarecedores discursos revelava os objetivos do governo, abalando assim as bases do regime autoritário de Mohammad Reza Pahlavi.  O regime monárquico, por sua vez iniciou uma serie de atividades de repressão e criar uma atmosfera muita abafada e detenções arbitrarias e prisão de ativistas políticas e religiosas. O regime do Xá em março de 1963, mandou atacar ao famoso Seminário de Feizieh e matou, feriu e prendeu centenas de discípulos de estudos religiosos.

Nesta época, os discípulos de estudos religiosos eram isentos de prestar serviço militar obrigatório. Mas o regime do Xá, estabeleceu o serviço militar obrigatório para os estudiosos da religião, visando esvaziar os centros e Seminário da juventude. Hashemi Rafsanjani foi um dos primeiros clérigos a exercer o serviço militar.

Após os acontecimentos de junho de 1963, o governo aumentou a repressão e violência os militares matando muita gente e agentes de serviços de inteligência prenderam dezenas de pessoas. Neste período Hashemi Rafsanjani fugiu de serviço militar e durante meses se escondeu na sua terra natal.

Nesta altura ele traduziu e lançou o seu livro, “Historia da Palestina”, que de fato foi um registro das atividades nefastas da colonização, com uma introdução, que se tornou como um manifesto contra os colonialistas e uma boa disposição de situações dos muçulmanos e especialmente do povo oprimido da Palestina. Ele livro marcou e teve um profundo efeito entre os intelectuais e os combatentes da época.

Com o exílio de Imã Khomeini (RA) à Turquia e, depois a Iraque em novembro de 1964, a luta de Hashemi Rafsanjani e outros discípulos de Imã Khomeini (RA) entrou em nova fase. Hashemi, tinha sido prosseguido como outros ativistas políticos e religiosos anti-regime, foi detido e preso diversas vezes pela organização de inteligência do Xá (SAVAK) e torturado reiterados momentos terrivelmente. Mas tudo isto, não abalou a sua determinação de resistir na luta contra o regime, mesmo na prisão sempre se manteve com um espirito incansável e animado em que aproveitava de qualquer oportunidade para publicar artigos, divulgar e explicar a religião e educação islâmica entre os reclusos.

Um das atividades do aiatolá Hashemi Rafsanjani, fora da prisão, para além de atividades políticas e religiosas, foi ajudar as famílias dos presos políticos.

Rafsanjani foi uma das figuras principais na organização e a luta contra o regime do Xá. Em auge de dias do protesto, ele estava sempre em contatos com o Imã Khomeini (RA) no Iraque e, em seguida, em Paris. Na lista que Khomeini denominou como membros do Conselho da Revolução, Rafsanjani fazia parte como  primeiros escolhidos.

Após o triunfo da Revolução islâmica, Hashemi Rafsanjani se manteve entre os pioneiros na estabilização e consolidação dos fundamentos da Revolução Islâmica do Irã e o seu desenvolvimento e progresso e diferentes correntes políticas e nos momentos crucial para contrabalançar os correntes políticos. No próximo capitulo deste serie de artigos falaremos sobre a vida política de aiatolá Hashemi Rafsanjani depois da vitória da revolução islâmica.

 

Jan 10, 2017 17:12 UTC
Comentários