Mar 12, 2016 09:20 UTC

Nesta edição, pretendemos rever as causas e raízes que têm levado a comunidade ocidental a recorrer aos comportamentos violentos.

Aiatolá Khamenei, o líder supremo da revolução islâmica, na sua carta endereçada aos jovens ocidentais tem mencionado alguns pontos importantes. Ele, ao lamentar os atentados terroristas em Paris e a morte de inocentes, tem convidado a juventude a pensar nas raízes de ações violentas no Ocidente. Um dos pontos importantes foi chamar a atenção pelas causas da atração e interesse dos jovens europeus aos grupos terroristas incluindo o Daesh.

Ele, numa parte da sua carta afirma: "Por outro lado tem que perguntar por que aqueles que nasceram na Europa e tiveram a educação e o seu crescimento intelectual e espiritual no mesmo ambiente, tinham sido atraídos por estes grupos? Como pode acreditar que as pessoas com uma ou duas viagens às zonas da guerra, de repente se tornassem tão extremistas e fanáticas que pudessem atirar contra os seus compatriotas? Definitivamente, não devem esquecer um longo tempo de ser alimentados por uma cultura indecente, num ambiente contaminado e gerador de violência. Talvez o profundo ódio causado pela desigualdade e descriminação estrutural e jurídica proveniente do efeito da prosperidade económica e industrial, pode ter criado complexos entre algumas camadas das sociedades ocidentais, o que se tem manifestado agora como uma doença mórbida”.

A plataforma básica e os princípios de comportamento violento que hoje a sociedade ocidental enfrenta, originou-se nas discriminações e as desigualdades enraizadas nestas comunidades. Discriminação e disparidades são assuntos que dependem aos contextos sociais.

Stein Rokkan, o famoso sociólogo e cientista política, procura a raiz do “racha” e estas lacunas, nos acontecimentos históricos e importantes, incluindo a revolução nacional, durante o Renascimento nos séculos XVI e XVII e a Revolução industrial do século XVIII na Europa. Na opinião do Rokkan, a lacuna resultante da revolução nacional, as dissensões culturais e crise de identidade e a desigualdade proveniente da revolução industrial, basicamente tiveram uma natureza social e económica.

Na pratica, no século XVIII e no início da revolução industrial no Ocidente, a vida do povo entrou numa nova fase. A revolução industrial causou a diversidade e uma amplitude na forma de produção, chegando ao mercado novos produtos industriais e tecnológicos, criando nova relação e interação político-social na sociedade ocidental. Na verdade, embora, a revolução industrial tivesse ocorrida no domínio “econômico”, mas o seu impacto e reflexão pode se encontrado em outras áreas da vida humana, incluindo na política, cultural e social.

Os primeiros anos do século XIX coincidiram com o desenvolvimento das colônias britânicas no Canadá e a criação de um neocolonialismo na África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. E no último trimestre do século XIX, como resultado do crescimento da indústria e capitalismo, mais uma vez, atingiu a clímax, as competições e campanhas internacionais entre os colonialistas. Na sequência da influência francófona até na norte da África, grande parte desta região foi dominada e supervisionada por franceses. Posteriormente, Espanha e Itália, também estenderam a sua influência. Alemanha chegou ao final do século XIX e também entrou nesta disputa colonial. As disputas sobre as ilhas do Pacífico e a configuração de entrepostos comerciais na China, que foram associados com os recentes acontecimentos, emergiram os Estados Unidos da América, como um novo jogador nestas cenas de disputas coloniais.

Aiatolá Khamenei em um dos seus discursos sobre isso disse: “um dos maiores crimes contra a humanidade, foi à instrumentalização da ciência para alcançar os objetivos dos opressores, em particular na era da Revolução industrial e nestes dois ou três séculos recentes. Os britânicos que eram vanguardas na revolução industrial, utilizaram este meio para colonizar e reprimir os povos no arredor do mundo. Vocês não podem imaginar, durante a dominação inglesa, o que tem passado no subcontinente, esta grande e rica região? Não foi só o subcontinente; todas as regiões orientais da Ásia sofreram durante séculos, com a instrumentalização da ciência pelos colonialistas, foram destruídas as aspirações e a vida das pessoas e deixando as nações nestas regiões atrasadas. Esta é a maior traição à ciência, bem como à humanidade. Eles querem quebrar este monopólio. Cada nação que pretende ser independente e sair da dominação destes países vai quebrar uma parte deste monopólio e felizmente isto aconteceu com o Irã.”

Embora, a discriminação e a injustiça sobre a humanidade e entre as nações tivessem uma longa história, mas a discriminação e a superioridade racial são frutos do colonialismo ocidental. A ganância como um traço da época de Renascimento na Europa desempenhou um papel importante neste contexto. Descobertas geográficas e o comercio de escravos que chegaram ao seu topo no século XVIII, trouxeram riquezas para a Europa (segundo alguns relatos foram comercializados cerca de 50 milhões escravos). Um dos escritores africanos escreveu: «a escravatura é o acontecimento mais importante da história contemporânea e o racismo é o seu resultado direto e drástico.”

Frantz Fanon, no livro “Racismo e Cultura” salienta: “Ocidente com o apoio do sucesso tecnológico dominou o mundo. Os pioneiros do colonialismo aparentemente acreditam na superioridade da sua civilização, devido a uma raça superior. Foi por aqui, que entrou o racismo sob vários domínios na cultura e na civilização ocidental, e pouco a pouco, se consolidou como um dos pilares da sua convicção. A distância entre a humilhação racial e a humilhação do homem e a rejeição da sua personalidade e dignidade é apenas um passo. Ocidente procurou apagar a identidade dos povos indígenas, e ao mesmo tempo em que apagava sua história, tinha sobreposto uma nova história na qual o indígena não tinha qualquer identidade”.

Mas a historia dos europeus e americanos, é a narração de história de países, alegadamente defensores da democracia e dos diretos humanos, que cometeram sempre todos os tipos de discriminações e desigualdades contra os negros, mulheres, muçulmanos e até os imigrantes. Estas discriminações têm causado o fortalecimento do fenômeno de racismo nas comunidades ocidentais, pavimentando o crescimento e organização das redes de extremistas etnocêntricas.

Hoje, o fanatismo religioso e discriminação racial nos EUA e na Europa está sendo expandindo, desfiando a ordem política e segurança mundial. A xenofobia extrema e o aumento progressivo da descriminação, já estão no ponto alarmante pelo perigo de fanatismo e odeio, na Europa e nos EUA. As cristões novas e a extrema-direita, novamente, avigoraram na Europa e isto seria um desafio serio para a ordem social deste continente.

As políticas de extrema-direita envolvem na discriminação racial que abrange a aristocracia, nacionalismo, racismo e a xenofobia, baseadas por uma ideologia nacionalista e fascista. Os partidos do extremo direito cristão tomaram forma em vários países europeus na década de 90, e os seus sentimentos que são a combinação de islamofobia, o fanatismo contra imigração e as dificuldades económicas, estão se expandindo. Indivíduos ou grupos destes partidos são extremistas e radicais com as convicções de superioridade que estão totalmente violando a igualdade social.

A discriminação de género é também uma das velhas formas de desigualdades no Ocidente. O líder iraniano sobre a injustiça ocidental imposta às mulheres diz: “desde que os europeus, criaram a nova indústria no inicio do século XIX, em que os grandes capitalistas ocidentais tinham inventado as grandes fábricas, e neste sentido a necessidade à mão de obra barata e menos problemática, sussurram a ideia da liberdade da mulher, tirando elas do centro da família para as fabricas, tornando-as empregadas de baixos custos que podiam encher a bolsa dos capitalistas e por outro lado se esvaziam do prestígio e dignidade”.

O fato é que as renumerações das mulheres em muitos países europeus são menores do que os homens. As estatísticas na União Europeia mostram que as disparidades salariais entre homens e mulheres, são de 18 por cento em toda a UE.

De acordo com as estatísticas publicadas no âmbito da União Europeia, a taxa de desemprego das mulheres solteiras, é de 75 por cento e 54 por cento para as mulheres com filhos. Enquanto a taxa do emprego dos homens solteiros é de 80% e 85% para os homens casados.

Também de acordo com as estatísticas, atualmente, a taxa da participação das mulheres em espaço de poder e decisão são muita pequena.

Outro tipo de discriminação é desigualdade com base na cor da pele. Os protestos e agitações contra as duras politicas da polícia contra os negros na Europa e nos EUA, nas suas essências são conclamações contra a injustiça que está sendo sempre imposto contra os negros nestes países. Discriminação nos países ocidentais, especialmente nos Estados Unidos, está associada com a cor de pessoas. Ser branco nestes países significa ter algo melhor e mais possibilidades e ser preto ou vermelho seriam a razão injustificada para a pobreza e exclusão. As imagens negativas que a imprensa ocidental transmita das pessoas de cor, especialmente os negros, sempre causam para eles problemas em encontrar empregos e contratos laborais. Os negros, geralmente enfrentam vários problemas incluindo a baixa renda, a pobreza, educação inadequada, detenção arbitrária e outros comportamentos violentos pela polícia.

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